domingo, 20 de setembro de 2015

A flecha que me transpassa

A flecha que me transpassa


Sou um pêndulo e canto e canto
Ah a dor que dos olhos brota
Oculto no vai e vem do som do vento
E grito, pois sangro quando a corda solta.

Linhas caindo pelo pescoço- O sofrimento
Meu rosto sempre sem vida nada diz
A carne abriu-se aos poucos- O momento
Os olhos abertos e fixos sempre foram assim.

E ele me coloca na parede da sala
Como um prêmio de tinta emoldurado
Nem percebeu que os pingos são d’minha alma
E sorrir ali me olhando parado.

As paredes vão mudando a cor
Há outro corpo andando pela casa
Agora os dois olham para onde estou
Com uma flecha no pescoço que me transpassa.

Pedro Silva
Pintura por Joe Lima

sábado, 26 de outubro de 2013

Noctívago

Noctívago

Constantemente sozinho me encontro
E isso não me assusta como pensei
Gosto da sensação de silencio por dentro
O som dos pensamentos dos dias que guardei.

Abro as janelas do meu quarto
Deixo o vento da madrugada entrar
Posso ver a lua me olhar lá do alto
Visto-me de luto, sou folha seca pelo ar.

Não sou mais como era antes
Tenho cicatrizes no peito e segredos
Carrego a dor de amores inconstantes
Que fizeram de mim esse velho cheio de medos.

Abraço a noite como uma amiga de outrora
Deito em seus braços frios e melancólicos
Acordo molhado do lado de fora
De mais um anoitecer caótico.

Pedro Silva

Amar sofrendo

Amar sofrendo

Parei em frente ao espelho ontem
Assisti a vida passar diante de mim
Enquanto lágrimas corriam comecei a sorrir
Eu escondi de você o que os olhos não mentem.

Sinto muito não está pronto
Mesmo quando você estava disposto à mim guiar
Mas eu queria com todas as forças ir ao seu encontro
Mas era, sou tão fraco - escolhi não voar.

Fui um tolo,eu sei,sinto se te torturei
Achava que um dia quando dissesse que te amava
Você me olharia nos olhos e sorriria como sempre fez
A um custo alto descobri que amor não é só uma palavra...

Às vezes a criança precisa de apoio para andar
Talvez contigo ao meu lado eu possa crescer
-É tarde, dói mais em mim, mas não posso voltar!
-Lembra?Foram quatro anos lutando por você...

Pedro silva

Peço ao céu você pra mim

Peço ao céu você pra mim

Não posso mentir que nada sinto
Que estou bem, forte e firme
Já não sei fingir que olho o infinito
Sou covarde para continuar nesse caminho íngreme.

Sei que te perdi a cada manha fria
E mesmo você tão longe assim
Estou de pé mais um dia
Quero você de volta aqui.

Peço ao céu toda noite algo em segredo
É uma prece silenciosa e vã, eu sei
Mas nada muda tudo dura e adormeço
Só eu sei o estrago que isso fez.

Preciso do teu jeito infantil
Inseguro como o amor que você me deu
Confesso que estou por um fio
Imploro volta a ser meu!

Pedro Silva

De volta à vida

De volta à vida

Mergulhe dentro de mim outra vez
Respire o sopro da perdição esquecido
Crave a dor antiga que você um dia fez
Sele minha alma num beijo proibido.

Abra a cova profunda dos meus dias
Seja minha parte perdida
Rasgue cada pedaço da pele minha
Rompa a noite com minha chama maldita.

Não se aproxime como antes
Pare de tentar me fazer voltar
Afaste de mim essa coisa pulsante
Sempre foi um erro isso de amar. 

Meu esconderijo foi posto à baixo
Curvo-me a essa alma fria e caída
No fim era uma parte de mim eu acho
Que eu trago de volta a vida!

Pedro Silva

Que chegue ao fim

Que chegue ao fim

Que dentro de mim tudo pare de gritar
Já não agüento os ecos sem sentido
Doem os sussurros que não param de torturar
Que a noite não traga o que tenho vivido.

Quero só uma vez senti-me bem
Fechar os olhos e por a cabeça leve no travesseiro
Adormecer e ter sonhos brancos também
E não mergulhar a pena no tinteiro.

Espero que tudo se rompa
Cada fino traço se apague
Minha mente entre em coma
E o pensamento no infinito vague.

Coloco as espadas no chão
Estou cansado desta coisa vã
Cheio de lágrimas meus olhos estão
Adormeço para poder ver o amanhã.

Pedro Silva

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Dançando com as sombras

Dançando com as sombras
 


Caminhando na escuridão da noite soturna
Uma moça vestida de negro e sangue
Ela era o breu,a cova a Luna
De pele pálida sensual e langue.

Seus passos eram leveza mórbida
Errante amente solitária
Lagrimas rubras banhavam suas orbitas
E ela parecia flutuar como uma Deusa mortuária.

Seu vestido farfalhava ao vento
Ecoava ao longe a melodia das almas perdidas
Eu bebia da sua beleza a todo momento
Ela era fria como o sopro da vida.

Seus lábios vermelhos eram chamas ardentes
Ela para,olha em volta e o encontra
Nada vejo tudo sinto e de repente
A mulher vira noite dançando nas sombras.

Pedro silva